ABEV3
AMBEV S/A

Novas entradas na compra do papel em R$ 22,08 com suporte para médio prazo em R$ 19,61 e para curto prazo em R$ 21,44  

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Mudança de Patamar

Raio-X

A Ambev atua no ramo de produção e distribuição de bebidas no Brasil e em outros 15 países na América. Sua atuação geográfica pode ser dividida entre Brasil (67% do volume em 2016), América Latina e Sul (21%), Caribe e América Central (6%), Canadá (6%). O principal produto da empresa hoje é a cerveja, inclusive no Brasil (cerveja Brasil foi ~50% do EBITDA total em 2016).

CATALISADORES

  • Recuperação da Economia e percepção de risco. O Brasil representa a grande maioria dos volumes da empresa e um pouco mais da metade do EBITDA. Nosso cenário base assume recuperação dos volumes no segundo semestre, em função de melhora em indicadores como confiança e renda disponível. Fatores estruturais devem ser os grandes catalisadores para os papéis e para a bolsa como um todo. Assim, expectativa de juros mais baixos e medidas que permitam crescimento sustentável da economia deverão ser os grandes propulsores.
  • Custos menores. A grande desvalorização do Real durante o segundo semestre de 2015 e início de 2016 foi fortemente responsável pelo salto nos custos nos últimos 12 meses. Por conta da política de proteção (hedge) da empresa, os impactos dessa desvalorização foram sentidos 1 ano depois. A partir do quarto trimestre de 2017, a expectativa é que os custos caiam drasticamente na comparação anual (para crescimento próximo de 5% em relação ao 2S16).
  • Precificação. A precificação dos produtos é um fator importante para o preço das ações. A retomada da precificação para níveis históricos (prêmio sobre a inflação) pode ser um catalisador.

RISCOS

  • Competição. A Ambev ainda é líder de mercado com certa folga. No entanto, isso não impede que a concorrência se torne um obstáculo mais desafiador, como aconteceu em 2016. Guerra de preços e outros movimentos devem ser constantemente monitorados
  • Impostos. Com a situação delicada dos estados brasileiros, não se pode descartar o risco de aumento de impostos. No entanto, também atribuímos probabilidade menor a esse cenário, visto que o efeito líquido (do aumento de arrecadação ajustado pela queda de volume) pode ser até negativo.

Texto/ Visão:

O primeiro semestre de 2017 ainda foi desafiador para a Ambev, mesmo considerando a migração gradual dos indicadores econômicos para um cenário mais construtivo. Por conta de pressão ainda grande em custos (custos – “CPV” – por hectolitro subiram 7% no 1S17, sendo que o Brasil contribuiu com CPV/hl 19% maior), as margens permaneceram baixas: margem bruta caiu 4,2 p.p. no 1º semestre (em relação a 2016), para 60,2%, e a margem EBITDA caiu 4,6 p.p., para 38,6%. Além dos custos, os volumes também apresentaram variação pequena de um ano para o outro (+2% no 1S17), dado que indicadores como desemprego e renda disponível ainda estavam em recuperação. No entanto, o segundo semestre se iniciou com um cenário muito diferente: com indicadores econômicos apresentando melhora consistente e com os principais fatores de pressão de custo ficando para trás. Vale relembrar que a grande pressão aconteceu por conta da proteção cambial, referente à forte desvalorização do Real no segundo semestre de 2015. Esse efeito do câmbio é sentido, na média, um ano depois. Assim, essa mudança de patamar dos indicadores pode dar um tom positivo para as ações nos próximos meses, a partir de quando os fundamentos refletirem esse cenário. Em conjunto com os fundamentos, a gradual diminuição na percepção de risco dos agentes torna o valor das ações ainda maior.

 

Outro ponto importante será a precificação. Historicamente o preço médio dos produtos varia em linha ou acima da inflação. No entanto, abriu-se um gap entre 2016 e o primeiro de semestre de 2017, quando o reajuste ficou abaixo do IPCA e também da inflação de cerveja (2016: +3%; 1S17: -4%). Para o segundo semestre fechado a expectativa é que os preços sejam reajustados acima da inflação, e que no longo prazo retomem a dinâmica antiga. Também há oportunidade se considerarmos o mix ainda pouco concentrado em cervejas premium. Hoje essa categoria representa ~10% do total, enquanto globalmente esse número é ~30% na média. 

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